segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Desabafos Maternos... Cenas do próximo capítulo!

Esse texto foi publicado na minha página no facebook (Planeta Maternidade) há quase um anos atrás. 
E eu ainda posso sentir o nó na garganta que me deu ao escrevê-lo... posso sentir o sabor das lagrimas que rolavam pelo rosto, e chegavam aos cantos dos lábios...
Mais um desabafo materno, daqueles que só quem é mãe compreende!!!
Desabafo de uma sexta-feira
Hoje de manhã, como todos os dias de trabalho, eu senti o coração tranquilo e grato por ter um emprego e poder garantir uma qualidade de vida para minha filha, mas como sempre senti o coração pequenininho e apertado por ter que me ausentar por um longo período, e por isso acabar perdendo boa parte de suas “gracinhas” e suas conquistas, como o primeiro xixi no peniquinho. É... foi ontem! Aconteceu e eu não vi, perdi essa conquista dela! Mas me consolo, afinal é tudo por ela, e a vida é assim, dura mais cheia de graça. Tenho saúde e força de vontade para trabalhar, um emprego, um lar, um teto sobre minha cabeça, um cobertor para me aquecer (inclusive um cobertor de orelha. Rs), uma família linda que me apoia e me ama, um marido que me ajuda e me apoia em tudo e uma filha que é o presente mais preciso que eu já recebi. Precisa mais?
Mas hoje confesso, o coração ficou bem mais apertado e abatido! O dia começou diferente, senti pela primeira vez o coração mais apertado do que de costume, e ao mesmo tempo senti um orgulho imenso dentro de mim, pois senti a certeza de que estou fazendo o melhor pela minha filha, e estou trilhando o caminho certo na sua criação. Manuela é uma criança espetacular obediente, serena, ativa, esperta, e muito inteligente. Raros os momentos de “crises”, sim porque eles existem e acontecem lá em casa.
Ela quase nunca fica doente, se pegou um ou dois resfriados mais fortes foi muito. Nunca tomou antibióticos... NUNCA! É uma criança absolutamente saudável e comportada. E hoje notei mais uma qualidade nela, a compreensão. Eis que essa compreensão foi o motivo de que lágrimas rolassem pelo meu rosto de orgulho e de aperto no peito também.
Hoje de manhã, acordei para ir trabalhar, tomei meu banho como de costume, e Manuela, permaneceu na nossa cama compartilhada dormindo. Me arrumei e fui para cozinha tomar café, quando me sentei ouvi aquela vozinha doce e “amassada” pelo sono me chamar: “Mamãe!” Prontamente, fui atende-la como sempre gostei de fazer desde que nasceu, atende-la no primeiro instante que ela me requisitava. Quando cheguei ao quarto, lá estava ela, sentadinha sobre a cama, descabelada e linda, esfregando os olhinhos verdes, ainda inchados da tranquila noite de sono que tivera!
Cheguei e disse a ela: “Bom dia filha...” E ela, muito tagarela, já uma expert em palavras novas, ao auge dos seus 17 meses, respondeu: “Bom dia!” do jeito dela é claro. Me olhou com aquele olhar faceiro cheio de vida e brilhante, sorriu, deitou no travesseiro e me disse: “Maemãeni vem qui, deita!” (explico: mãeni é uma forma carinhosa que ela me apelidou, e as vezes ela usa esse mãeni para me chamar, e eu confesso que amo). Olhei para ela com o coração já apertado e disse: “Filha mamãe não pode deitar agora, preciso trabalhar! Vem, vamos tomar café com a mamãe.” - Tomar café em família é quase que uma regra para nós, virou uma rotina deliciosa, e sempre que Manu acorda conosco fazemos esse ritual, nos sentamos à mesa e tomamos café da manhã juntos, conversamos e nos amamos da forma mais natural e singela que pode haver no mundo inteiro.
Manu, não se contentou com minha explicação, e replicou: “Mamãe, deita... tetê!” Sim, ela queria o tetê, o tão amado tetê da mamãe – sim eu ainda a amamento com leite materno, e não, não tenho a menor intenção de parar de amamenta-la por enquanto, porque para mim, esse é o melhor momento para amar integralmente, o momento em que me aconchego com ela nos braços, e abraçadas nos doamos uma a outra de forma sincera, inerente, sem barreiras, sem limites, sem reservas, sem preconceitos, nos entregando à forma mais pura de amor! – Eu expliquei a ela já com o coração doendo: “Filha, já já você mama o tetê, vamos tomar café com a mamãe vem! Mais tarde quando a mamãe chegar a gente deita tá bom?” Ela? Simplesmente respondeu: “Tá bom”, levantou-se, e veio para o meu colo, sorrindo, tranquila, numa obediência irrepreensível, numa serenidade inimaginável, num ato de compreensão e “compaixão” inigualável, um adulto não seria tão entregue a sua compreensão como ela foi! Como se compreendesse tudo que se passa ao seu redor, que eu preciso trabalhar para ajudar nas contas da casa, para garantir a ela uma qualidade de vida, para termos nossa casa própria, e certamente ela compreende! Eu sei que compreende!
Naquela atitude ingênua e totalmente “involuntária”, parecia ter percebido meu sofrimento de não poder deitar com ela naquele momento, e de ter que deixa-la aos cuidados da avó todos os dias de manhã, e estava me dizendo: “Tudo bem então mamãe, eu vou com você não tem problema. Tá tudo bem!”
E foi nessa hora que não contive as lágrimas e a primeira rolou! Que vontade senti de me jogar naquela cama, abraça-la e ficar lá dando a ela o seu “tetê”, até que ela resolvesse finalmente despertar e levantar para brincar. Que vontade estar com ela o dia todo sem horários nos limitando, sem o tempo para nos atrapalhar. Naquele momento eu percebi como é importante doar a minha filha qualquer segundo do meu tempo que seja, para ela é importante, é necessário, é suficiente. Eu percebi que eu tenho um tesouro em forma humana dentro da minha casa, a minha filha me mostrava naquele ato tão simples o quanto é importante a compreensão, o quanto é de dever do ser humano a compaixão ao próximo, o quanto torna nosso dia mais simples se formos compreensivos com os problemas e regras dos outros!
Ela me encheu de orgulho, porque ela em sua simplicidade me mostrou que é humana, é compreensiva, e acima de tudo, me mostrou que amá-la de forma incondicional usando meu instinto e meu amor acima de qualquer achismo ou opinião alheia, não permitindo algumas coisas com ela, tem feito dela um ser humano simples, que compreende regras e limites. Dar a ela a oportunidade de dormir conosco, de mamar no seio materno até quando ela se sentir confortável com isso, não é criar uma criança mimada e dependente como a sociedade julga, é simplesmente mostrar a ela que a forma mais pura e verdadeira de viver é amando ao próximo sempre, sem reservas, sem preconceitos, com carinho e compreensão!
Sei que talvez tudo isso pareça um exagero, um clichê ou uma bobagem materna qualquer, mas eu de fato me senti orgulhosa, embora com o coração em pedaços, porque a minha filha me ensina mais do que eu ensino ela, e desde bem pequena já demonstra ser um ser humano, humano!
Ser mãe exige renuncias demasiadas para a nossa vida pessoal, mais do que se possa imaginar, e muitas vezes essas renúncias parecem penosas demais. Mas não há renúncia pior, mais dolorosa, mais triste para uma mãe do que a de ter que renunciar ao seu tempo com o filho, a renúncia de estar com ele, e ter que dispensar seu tempo com outra coisa longe dele, ainda mais quando essa renúncia nos é imposta de forma ditatorial, sem alternativas, sem chance de escolhas.
Eu amo ser mãe, e a maternidade me completa, com todas as suas dificuldades e obstáculos. A graça que ela me traz, compensa qualquer barreira que eu tenha que enfrentar. A maternidade me representa.
“A maternidade é um estado de graça, em que a mulher encontra-se no seu mais alto nível de entrega, e encontra dentro de si o único amor que nem mesmo ela consegue explicar ou entender.”

sábado, 8 de novembro de 2014

Desabafos de uma vida materna

Ela é mãe. E uma mãe exausta como grande parte de nós. Mas acontece que as vezes nos sentimos culpadas por essa exaustão. Por sentirmos esse desejo de ter um dia só pra nós, e não falamos, não desabafamos. É importante saber que isso é normal. Toda mãe precisa de um dia no salão de beleza, de um dia pra tomar um banho relaxante, pra ir ao banheiro tranquilamente, para sair para conversar sem criança chamando e pedindo atenção. Isso não significa que não gostemos de ser mães. Isso significa que ser mãe também é ser humana, ser mulher, e precisa de um tempo "só".
Essa necessidade às vezes nos sufoca, e nós a negligenciamos por culpa, por acharmos que não temos direito à um descanso às vezes. Mas isso não nos faz bem. É importante que de vez em quando, deixemos nossos filhos com alguém em quem confiamos, para que possamos sair com o parceiro, ou dar uma passada no salão, respirar um ar sem cheiro de leite e de fraudas. Rs... Isso também faz parte da vida! Não precisa se culpar. É bom, e ajuda muito. Melhora autoestima, e até o humor.
O desabafo abaixo, é de uma amiga muito querida, que esgotada, desabafou com o parceiro depois dele ter reclamado do quarto que estava com a cama por fazer...
Nós não estamos sozinhas! Nós somos todas mães apaixonadas, mas que também ficam exaustas às vezes.
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Sabe amor... estava pensando que você tem razão. 
Realmente bate um "Tédio" quando entramos em casa e vemos bagunça pra todo lado...
Mas acho que você não devia levar isso em consideração, afinal, poderia ser muito pior ! 
Tente imaginar como é não saber o momento em que seu dia acaba ou em que momento ele começa. É assim que eu me sinto todos os dias. Especialmente nas semanas em que nosso filho adoece, como hoje, e eu não consigo dormir nem duas horas seguidas. 
Se a noite é turbulenta o dia é muito pior. Sabe aquele velho ditado em que diz: Nadei, nadei, nadei e morri na praia? É assim que eu me sinto, pois passo o dia inteiro, cada hora, cada minuto, juntando brinquedos espelhados pela casa, limpando restos de comidas que se espalham pelo chão, trocando fraldas intermináveis e lavando rios de xixi de cachorro que se espalham pelo quintal. E sempre que entro em um comodo diferente sinto muito TÉDIO, por que lá esta toda a bagunça novamente. Às vezes não me irrito por que a pessoa que bagunçou tudo aquilo solta um sorriso e fala: "Olha o que eu fiz mamãe, vem brinca com eu", sim, eu me permito sentar ao lado dele e "perder alguns minutos" brincando com nosso filho. 
Imagine só se você passasse uma hora e meia no fogão cozinhando nesse calor? E imagine perder mais uma hora tentando alimentar alguém que recusa a comida que você fez com tanto carinho. Eu dou costas para as birras e choros e volto para a cozinha, afinal, preciso limpar tudo que sujei e muitas vezes fazer outra opção de comida para a alimentação do nosso filho... e sujo tudo de novo, muitas e muitas vezes durante o dia. Nem consigo contar.
Depois de chegar e ver a sala completamente revirada pela enésima vez,  recolho os brinquedos ouvindo os gritos insistentes de uma criança que quer que eu deixe  tudo como está e não aceita ajudar a recolher nada. 
Paro tudo que estou fazendo e vou dar banho, fazer mamadeira e fazer ele dormir. Sempre com muito choro! Muito Stress e muita birra. Sempre!!!
Fico com sono, raríssimas vezes me permito dormir com ele por algumas horas. Quando o cansaço físico é insuportável. Mas geralmente, preciso levantar, lavar roupas, passar, estudar, fazer meus trabalhos da faculdade e algumas tarefas que são impossíveis fazer com ele acordado. 
E o engraçado é que mesmo assim ele me chama a cada 10 minutos, e eu nunca consigo me concentrar em nada, muito menos concluir uma tarefa ou um raciocínio.
Depois disso a saga da alimentação recomeça, a bagunça recomeça, a louça recomeça... todo o trabalho recomeça. Dar frutinha, trocar, limpar, fazer suco, limpar de novo, recolher as roupas da gaveta que ele jogou no chão, gastar uma hora tentando fazer ele te obedecer e ajudar a recolher...e bla bla bla. 
Fora isso, estou entrando em semana de provas na faculdade, minha irmã vai se casar e eu estou ajudando a organizar o chá e a despedida de solteira, é um dever como irmã além de ser um prazer, mas está tudo muito corrido, afinal, o é daqui um mês.
Passo o dia desejando alguns momentos sozinhos, sem nada para fazer, só para esticar os pés e olhar pro nada e não fazer nada. Ou até mesmo para usar o banheiro em paz, sem ninguém chamando, chorando, entrando e me pedindo coisas. 
Muitas e muitas vezes só me resta as noites depois que você chega (e pode olhar nosso filho) para limpar melhor algumas coisas e concluir as tarefas que passei o dia inteiro tentando fazer. Às vezes bate um TÉDIO quando te vejo sentado, no "fim do seu expediente" enquanto eu passo pra lá e pra cá limpando a casa e você "NEM TCHUNS". Sempre fazendo algumas coisas que você fez hoje e não gostou, pois são muito chatas, mas que se você fizesse me ajudaria muito mais. (Colocar as roupas sujas no cesto, recolher copos e mamadeiras da sala e do quarto, tirar suas roupas de cima do sofá...)
Por fim, às vezes eu gostaria de saber qual é o fim do meu expediente e qual o começo. Acho que não tem. 
Tem algo mais entediante que isso? Acho que sim...  Trabalhar o dia todo e ouvir seu marido chegar em casa emburrado pela bagunça é muito, muito mais chato e "entediante"
Te amo mesmo assim

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Rala povo brasileiro... Rala!

E a mamãe pensante andou pensando em política...

Que me desculpem os sociólogos, historiadores, filósofos, mas eu não estou presa ao passado Psdbista, e não pude julgar o candidato derrotado por mínima diferença, diga-se de passagem, pelas mazelas antepassadas do partido ou pelo histórico de maus feitos de FHC. São pessoas diferentes, são épocas diferentes. E eu não voto em partido, eu voto em possibilidade de mudança, mesmo que ela seja apenas uma remota sugestão utópica. Nem de longe o candidato tucano era o candidato ideal, mas uma alternância de poder a essa altura, seria bem vinda.

 Eu vivo num presente, e nesse presente me preocupa mais o parecer dos economistas do que dos filósofos e historiadores. Podem me chamar de umbiguista, individualista, de capitalista radical, de reacionária neoliberalista e de sei lá mais o que, eu estou sim muito preocupada com a nossa economia, porque isso tem refletido diretamente na indústria, e é numa indústria, que eu trabalho e garanto o sustento da minha família. E eu tenho visto esta mesma indústria à beira de um colapso há alguns anos. Eu nunca pude contar com assistencialismo de governo. O governo me colocou numa posição de “classe média”, e eu ainda estou buscando uma coerência lógica para essa colocação, porque definitivamente minha situação financeira não me eleva a esse patamar desejado por tantos, e odiado por outros.

Imagem retirada do Google
Marilena Chauí que o diga! Ela que me desculpe, mas eu não tenho absolutamente nada contra a classe média. Quisera eu fazer parte de forma absoluta dessa classe que movimenta 58% da economia desse país. Ao contrário disto, eu precisei financiar meu apartamento numa instituição financeira para ter uma casa própria, não consigo fazer viagens interessantes nas férias, não tenho um carro do ano, e longe de conseguir consumir tudo que desejo, eu consumo o essencial à minha sobrevivência, para manter um mínimo de dignidade.

Logo Marilena, essa senhora bem vestida de nome conceituado e discursos emocionantes, logo ela, parte integrante desta parcela da população brasileira, vem dizer que odeia a classe média? Esse discurso marxista furioso não me convence. Suas palavras revelam apenas uma fração do que ela sente por nós. Aliás, se ela quer combater o preconceito, e as abominações cognitivas as quais ela se refere, é melhor que ela se “localize”, pois ela a meu ver está se incluindo como tal abominação. Preconceito é preconceito minha gente, e o que Marilena Chauí declarou em seu discurso de “emoções inflamadas” na comemoração dos 10 anos de governo PT, nada mais foi do que PRECONCEITO.

Mas os seus seguidores são muitos, longe de compreenderem a incitação de ódio e discriminação da professora, eles a defendem com a “desculpa” de compreenderem o que ela quis dizer. Sinto muito, mas eu não compreendo! Fui obrigada a ler que “o povo está se achando classe média só pra se sentir importante”. Oi? Não minha gente. O povo só está “aceitando” e muito a contragosto, a colocação que o próprio governo lhe impôs. Se é coerente, não importa, o governo é quem dita as regras, né? O governo, que deveria governar para todos, está preocupado com estatísticas de classes sociais, isso lhes garante algum prestígio diante de perspectivas comparativas, ao que parece, e só. E se na concepção deles nós somos classe média, mesmo que não tenhamos uma renda suficiente para nos dar uma condição de vida financeira estável de classe média, então, indignados nos submetemos a isso, não há muito que se fazer. Até porque, a minha avó que sobrevive com um salário mínimo, que não tem nem TV a cabo e nem internet, e que ajudo mensalmente com cesta básica, ela, segundo a “contagem” do governo PT, é classe média. Que lógica isso tem? Eu digo que nenhuma. Mas vamos ser felizes e juntar as migalhas que nem sobram para quem sabe um dia fazermos uma viagem para o exterior. O governo jura que podemos. Eu ainda estou em dúvida.


Independente de me achar ou de ser obrigada a engolir tal classificação, porque definitivamente não acho mesmo que eu me enquadre nesses números equivocados, eu não engoli foi o discurso furioso da professora de filosofia petista. Porque claramente ela se referia a uma parcela da população, que raciocina e que rala muito, e vota com a cabeça e não com o estômago, e se orgulha disso, mesmo estando longe de ser classe média. O problema dela com essa tal classe média, aliás, deve ser esse orgulho pelo suor derramado em suas conquistas.

Imagem retirada do Google
Nenhum discurso de ódio me convence. Discurso de ódio e intolerância me dá nojo e eu repudio qualquer tipo de preconceito. E o que a professora fez nada mais foi do que declarar preconceito à classe média. E cá entre nós, que diferença há entre esse tipo de ódio com o que temos visto rede social a fora no que diz respeito à divisão clara de “preferências e ideologias políticas”? Preconceito é preconceito. Ódio é ódio. Qualquer que seja o discurso que envolva ódio e preconceito merece repúdio. Simples assim.

Marilena se esvaiu em seu discurso medonho, sem muito argumento, mais cheia de ódio e intolerância, ela surtou. Perdeu o limite do bom senso, e se há alguma abominação cognitiva aqui, esse alguém é ela, porque ela foi ignorante. E ela foi a estupidez, a arrogância, a petulância e a ignorância reunidas num só discurso, numa só pessoa.

Como gosto de repetir o meu discurso bordão: Não se combate preconceito com mais preconceito. Não se combate ódio com mais ódio, violência com violência. Marilena Chauí perdeu a razão. FIM!

Imagem retirada do Google
Se ela queria convencer alguém sobre como a classe média brasileira é medíocre, ela só conseguiu convencer a classe média e a classe que o governo diz que é média, de que “intelectuais acadêmicos” também sabem ser ignorantes e medíocres, tanto quanto ou até mais aos que ela repudia e chama de aberração e terrorista. Vestida com um terninho aparentemente de grife, ela perdeu os argumentos e se afundou em ofensas vazias num discurso raso. E fora aplaudida com honras, por ninguém menos que Lula, o PTista pai, que enquanto Marilena destilava seu ódio com palavreados mal colocados, embora bem discursadas, ria-se em deboche. (E esse houvera sido um dia, o herói da minha infância visto pelos olhos vislumbrados do meu pai! Ledo engano o meu.)

Eu que não tenho essa “sensibilidade filosófica” dos acadêmicos sociólogos e historiadores para ver o nosso atual modelo de governo como uma coisa boa, (muito embora veja suas grandes conquistas sem lhes tirar o mérito) e nem essa melancolia inflamada que incita ódio como o da Sra. Marilena, vou tentando seguir em frente a passos curtos, em busca da minha colocação coerente na classe média, já que hoje ela é fictícia. Dados estatísticos ainda não pagam as minhas contas, ainda não me permitem viajar quando desejo, e ainda não me pagam férias em Miami.

E se por um lado, a minha indignação com o discurso de ódio da professora Marilena contra a classe média, me corroeu os neurônios, por outro lado, esse discurso me fez refletir em como as pessoas tem vivido aprisionadas a ideologias, e tem se usado delas para defender um partido corrupto. Essas eleições trouxeram à tona até mesmo as malfeitorias de FHC, como se Aécio Neves fosse a projeção da continuidade de um governo já superado e deixado para trás. Até esse vídeo da Marilena, gravado em 2013, foi tirado do fundo “mais raso” do baú como tentativa desesperada de “cancelar” intensão de votos de simpatizantes do governo PTista (como se isso fosse possível). Não funcionou. Funcionou melhor o terrorismo dos militantes depredando a editora Abril e coagindo o galera do bolsa família dizendo que eles perderiam o auxílio se a oposição ganhasse as eleições. Deu certo!

O fato é, que até pouco antes das manifestações de 2013, eu não tinha uma visão política muito bem definida. Eu tinha certa bronca do PT por ouvir em sua hierarquia organizacional nomes como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno.

Eleições passadas, fim das brigas em rede social, ou não, a minha visão política não muito polida, e cheia de alguns alavancos e desencontros, foi se desenhando e se definindo. Eu, pela vivência sofrida, pela história de vida, pelas conquistas suadas, compreendi que na minha filosofia não cabe socialismo. Eu não me identifico com ele. Infelizmente. Ou não! PT não me representa. Não mais.

Insatisfeita com o resultado dessas eleições, por questões óbvias, eu sigo a caminhada vendo os cofres públicos serem saqueados com a permissão de 51% dos brasileiros, sendo que 21% se abstiveram da responsabilidade de cobrar que os ladrões sejam punidos. Sigo vendo José Dirceu e José Genoíno aclamados como heróis pelo PT, e ainda por cima, tendo suas penas reduzidas. Tenho pena de Joaquim Barbosa, trabalho duro, condenações quase históricas reduzidas a “pó”.

Seguirei indignada, ao me lembrar de que o governo deixou de recolher mais de 1,1 bilhão de reais em impostos da FIFA na realização da copa desse ano, perdoou dívidas de países africanos, financiou porto e aeroportos em Cuba, metrô na Venezuela, e nós continuamos com saúde e educação sucateados. Nossos metrôs e portos então, nem se fala. A indignação permanecerá, quando os noticiários falarem no escândalo da Petrobrás, e em seus evolvidos: nomeados pelo governo e integrantes deste partido. A minha indignação com os meus irmãos conterrâneos seguirá quando os culpados forem condenados (e eu espero que seja logo), e a presidente eleita por eles, seguir com seu discurso passivo e permissivo, se isentando de qualquer responsabilidade a respeito dessas situações. Pior, se abstendo do dever de dizer o que pensa a respeito de pessoas como José Dirceu. E eu repito, eu vivo o presente, e este presente é “doído”, carregado de corrupção e escândalos. Um dia isso será história, será que os historiadores e filósofos irão se atualizar e lembrarão isso?

Seguirei indignada, pela complacência brasileira, pela ausência de coerência nas urnas em contraste com o que vimos nas ruas (e eu falo também com relação ao governo do estado. Alckmin de novo?). O rosto desses brasileiros que vaiaram nos estádios, diante dos olhos do mundo inteiro, a então presidente, que saíram as ruas em manifestações, agora não tem mais forma diante dos meus olhos. Esses rostos se apagaram, e não apenas da minha memória, mas do peso histórico que as manifestações teriam, se tivessem sido levadas a sério. O Gigante não acordou meus amigos, mas dorme em berço esplêndido. O dissabor desse lamentável desfecho das eleições foi surpreendentemente o de luto, não por incompetência de um governo de conquistas reconhecidamente absolutas, mas pela sujeira que se vê nas notícias mais recentes sobre corrupção. O país veio à falência de seu estado de graça, onde “verás que um filho não foge à luta”, mas morreu afogado às “margens plácidas do Ipiranga”. Não foi impávido embora belo! O povo dormiu num importante momento de sua história como nação democrática. Votou pela necessidade e não pelo amor à pátria. Votou pelo passado e não pelo presente.

Longe de mim, falar contra os pressupostos desse governo ou de qualquer tipo de assistencialismo, acreditando eu que, essas são conquistas importantes da sociedade, ganhos sociais que governante nenhum deve botar a mão. Eu tenho que dizer que embora eu reconheça todo potencial dos auxílios sociais como arma importante para tirar brasileiros da miséria extrema em situações emergenciais, sigo, com aquele gosto amargo de que isso limita (ou escraviza) grande parte da população a permanecer no escuro e votar pelo medo de perder o que lhe garante sustento. Esses que em grande parte são inclusive desprovidos de informação, e provavelmente não estão cientes do que acontece nesse país. Alguém já perguntou para algum deles sobre o escândalo na Petrobrás? Sobre mensalão? Sobre nomes como José Dirceu? Se eles sabem, ignoram. O que deve ser pior. Enfim, sigo acreditando que um dia essa realidade irá mudar. Eu preciso acreditar nisso, é o que me resta agora.

Eu não consigo me limitar a olhar esse país pelos olhos dos acadêmicos de ideologias socialistas brilhantes, por mais que às vezes eles pareçam ter razão. E eu respeito muito esse ponto de vista. Mas hoje eu só consigo perceber, que enquanto um governo governar só para os “pobres”, a classe trabalhadora é “ameaçada”. Eu só consigo enxergar o que afeta aquilo que garante o sustento de milhões de brasileiros, trabalhadores: o emprego. Esses estão ameaçados se a economia continuar como está. E essa é uma vertente importante a ser considerada num governo. Não vamos tapar o sol com a peneira, essa é uma parcela importante da população.

Eu só espero de coração que a presidente reeleita faça jus à frase: “Brasil, um país de todos”, e passe a governar também pela classe média, e pelos que ralam tentando uma colocação descente na tal classe, já que o governo sem muita coerência insiste em coloca-los lá. Eu só posso desejar sorte à presidente e a nós, porque estamos mesmo entregues à própria sorte.

Aos historiadores, eu digo que têm meu respeito eminente a essa visão incrível, esse peso enorme de acadêmico que estudou para conhecer o passado e as origens, e compreendo que essa carga histórica, poderia sim refletir de algum modo, inclusive negativo, no governo de determinado partido. Porém não dá pra viver preso ao passado, eu vivo num presente, duro presente, e esse me diz que é mais grave o que tem acontecido hoje, porque isso reflete diretamente na situação atual do país. Essa história a que se referem, é uma lembrança amarga do que aconteceu no passado, que já foi superado (espero). Vivo o presente, e seja o que Deus quiser.

Aos filósofos e sociólogos petistas eu digo: Não sou acadêmica e voto por vivência, pelo que vejo pelo que pondero, e não apenas por ideologia.

Aos demais, eu digo: Rala povo brasileiro... Aquele que não tem bolsa social tem que ralar pra viver!

Imagem retirada do Google

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Andadores, porque tê-los?

O eterno divisor de "águas maternas". O vilão da primeira infância... O limitador de liberdade... o que dá falsa sensação de tranquilidade... a inquietação da sociedade brasileira de pediatria.

O tão temido Andador...

Esse assunto é tão polêmico quanto muitos outros assuntos nesse universo da maternidade, até mesmo como a própria maternidade em si, ou a peculiaridade de cada mãe em seu modo de maternar (quer coisa mais polêmica que exija mais jogo de cintura e paciência?). Diria até que é um assunto tão ou até mais polêmico que o tema: “chupeta”, mas em um ambiente mais delicado, onde os riscos e malefícios são ainda mais elevados e consideráveis, onde as consequências são extremamente complicadas, e em alguns casos até irreversíveis.

Antes que me julguem ou critiquem (embora já esteja acostumada), pondero: Sim! Eu fiz uso de andador quando criança! Sim! Vi meus irmãos usarem. Sim! Usei com a minha filha (embora pouquíssimo e esteja seriamente arrependida disso hoje). E finalmente NÃO! Nenhum de nós sofreu algum tipo de dano irreversível que comprometesse nossa estrutura óssea, nossos ligamentos ou qualquer coisa do tipo a ponto de comprometer nossa vida. Exceto por um galo cruel que meu irmão mais novo ganhou quando tinha apenas nove meses, porque ele queria descer um degrau com o bendito andador e não houve tempo de impedi-lo, o andador “virou” e ele se estabacou no chão de cabeça. Maior susto, mas nada grave! Olha o perigo, se fosse uma escada maior e não apenas um degrau. Ai ai ai! Não gosto nem de pensar!!!

Bom, também não houve “retardo” no processo de aprender a andar de nenhum de nós, aliás, meu irmão e eu andamos antes de completarmos um ano e minha irmã caçula com um ano completo. Minha filha, mais preguiçosa, com pouco mais de um ano. Quanto a esse tipo de “experiência triste”, eu não posso falar, embora eu tenha precisado das famosas botinhas ortopédicas quando criança, e digamos que tenha ficado com as pernas não exatamente “perfeitas”. Mas” tamo aê”, com saúde, e dignidade. Saúde é o que interessa né? (Só pra descontrair! risos).

O fato é que, eu só comprei aquele objeto de “desejo” de uma grande parte das mães, por puro capricho (mesmo o pediatra contraindicando o uso, pouco faltando para proibir por si só a venda no país. O cara era mesmo contra ao tal andador. Juro que vi sangue nos olhos dele no dia em que fiz a perguntinha mágica sobre o tal objeto), e porque eu jurava que ele iria me dar alguns momentos de “descanso”. Doce ilusão!

A verdade é que ele me trouxe mais dor de cabeça e preocupações do que eu supunha, e a pequena sinceramente não se adaptou muito bem a ele – ainda bem! - já que isso acabou por limitar e muito os períodos em que ela permanecia lá dentro. Confesso que em alguns raros momentos ele me foi útil, como por exemplo, na hora de estender uma roupa no quintal – que é plano, sem degraus e depressões, cercado, e sem risco algum para a integridade física da princesinha – e nada que um sling não resolvesse o problema tão bem quanto, ou até melhor. Em fim!

Manu presa na passagem da porta. Cadê a liberdade?
Mas num geral, eu não via muito utilidade na bugiganga, já que a filha não curtia ficar longos períodos nele. Seus passeios espevitados, empurrando o treco de rodinhas pelo quintal não passavam de 20 minutos, isso nos momentos em que ela ficava entretida por mais tempo tentando pegar o rabo do cachorro lá de dentro da coisa, atividade essa bastante difícil já que aquele “entorno plástico” todo limitava e muito o acesso dela aos lugares, e perigoso também, uma vez que ela impulsionava o corpinho para frente e por algumas vezes ela pegava “impulso” e quase conseguia virar para fora do andador – cada susto eu tomei!

Sempre permiti que ela usasse, podendo eu supervisionar integralmente o tempo que ela permanecesse no andador, do contrário, nada de bugiganga de rodinhas que promete ensinar a andar e dar liberdade à criança e à mãe (doce ilusão de novo!). Mesmo que o local onde ela iria ficar com o andador parecesse o mais seguro e confiável possível, eu nunca tirava os olhos dela, e ficava sempre próxima. Nunca confiei naquilo, e sinceramente, não dá mesmo pra confiar né?

Eu não julgo a mãe que opta por fazer uso desse objeto, porque de fato é algo de cunho bem particular, embora hoje a venda esteja proibida em todo o país. Porém, como grande parte das coisas nesse país, eu acho que o andador faz parte de uma cultura brasileira bastante questionável e duvidosa, dentre tantas outras coisas que fazem parte dessa cultura, e passam a mesma sensação de “perigo” e dúvida. Na minha humilde opinião, andador é assunto de saúde pública, que exige muito mais cuidado do que parece, de repente até uma lei, quem sabe para proibir o uso, e determinar a extinção definitiva desse artefato plástico. Mas esse já é outro departamento.

Uma vez, pouco tempo depois de eu comprar o andador (comprei quando Manuela tinha 6 meses) num desses grupos de maternagem do facebook, houve uma discussão “árdua” sobre o uso do andador, e uma fisioterapeuta, mãe, que fazia parte do grupo, entrou na discussão defendendo o “NÃO USO” e tentava quase que desesperadamente alertar as outras mães sobre os perigos do uso desse objeto. Após muitos argumentos, muitas contraposições, muitos “links” de artigos, estudos, matérias, notícias sobre os malefícios do andador, sem obter resultado algum, e quase sendo massacrada pela maioria das mães que estavam na discussão, ela ponderou e desistiu, saiu da discussão falando algo que me fez refletir, e muito: “Não vou discutir, mas vou lembrar vocês de um detalhe: Aqui no Brasil tudo é muito aceitável, tudo é muito “permissivo”, se andador fosse algo tão bom assim, que não oferecesse risco nenhum, vocês acham mesmo que países de primeiro mundo iriam proibir a venda desses brinquedos? Se nos outros países é proibido, não é um ponto a refletirmos sobre o motivo dessa proibição?” Simples assim! Foi o suficiente para me fazer pensar e pesquisar muito sobre o assunto. Na época ainda era vendido livremente andadores nas lojas de brinquedos e artigos infantis. Hoje a venda é proibida, porém não há uma fiscalização rigorosa, e ainda é possível encontrar lojas que comercializam as rodinhas mágicas e perigosas.

Foi então que eu definitivamente decidi que não ia mais usar o tal andador. Hoje, certamente eu não me daria ao luxo do suposto benefício da dúvida, hoje eu não compraria algo por capricho como o fiz, hoje após ler e reler histórias assustadoras de acidentes com andadores, de ouvir profissionais mencionando os danos que ele pode causar, vendo o quanto ele limitou a liberdade de exploração da minha filha, eu jamais gastaria meu dinheiro com tamanha “bobagem”, eu jamais me iludiria com tanta enganação. E eu não decidi isso do dia pra noite, ainda antes, pesquisei li, reli, me informei muito! As afirmações da fisioterapeuta no grupo só me alertaram de que algo estava errado, e foi o pontapé inicial para que eu buscasse a informação adequada para formar a minha opinião própria sobre o assunto, revendo meus conceitos anteriores e os mudando radicalmente.

Eu não vou citar dados de estudos, não vou apresentar links de matérias sobre o assunto, mesmo porque, não há matéria, estudo ou embasamento científico que mude a opinião de quem não se dá a oportunidade de mudar, de ouvir, de ponderar. Essa é a minha visão sobre o andador, e quando eu pensava diferente e via alguns profissionais falando algo que contrariava meus conceitos a respeito, mas não me dava a chance de pesquisar e buscar informação adequada, eu também achava que aquilo era tudo “especulação”. Eu só pude mudar de opinião quando me permiti pesquisar, ler, me informar, e finalmente abri a mente para compreender que haviam muito mais coisas sobre o assunto, do que supunha a minha vã filosofia.

Eu, não sou mais a favor do uso do andador, eu, hoje não usaria com a minha filha, eu, mas somente eu, acho arriscado, perigoso, um risco desnecessário à se correr. Mas, também eu, não tenho autonomia para julgar ou criticar a quem decide comprar e usar com seu filho. Isso é algo muito particular. Mas assim como tudo nessa vida, eu deixo a “dica”, faça sua escolha bem informada, sabendo dos riscos e perigos à que você está expondo o seu filho. Faça uma análise risco x benefício e tome sua decisão, consciente, bem informada. Simples assim!

Ps.: Esse texto foi escrito em minha página no facebook há exatamente um ano atrás, quando o assunto da proibição da vendas dos andadores veio à público, e as discussões sobre o uso tomaram as páginas, blogs e grupos de maternagem. É um texto sobre o meu parecer pessoal a respeito de andadores, mas achei interessante compartilhá-lo aqui. Eu não mudei de opinião, e o próximo bebê, que ainda é apenas um desejo, não chegará nem perto de um andador. 

sábado, 20 de setembro de 2014

Mãe Metamorfose

Ao longo desses pouco mais de dois anos desempenhando a melhor função que já tive na vida, “ser mãe”, eu já mudei de ideia inúmeras vezes. Isso porque sou um ser humano em plena “metamorfose”. Eu penso, logo existo, e desisto também. E acho normal. Como ser humano, sendo eu um ser “pensante”, me dou total liberdade de rever conceitos e mudar de ideia sempre que considero necessário, coerente e plausível. Me permito analisar a ideia do outro, e ver se serve pra mim. E se servir uso. Se não servir, respeito. Simples assim.
Eu, que antes era uma pessoa que temia grandes mudanças, na maternidade experimentei uma das maiores mudanças da minha vida, a minha própria mudança. A transformação do meu eu interior, das minhas lógicas e filosofias, das minhas mais profundas crendices, e dos meus mais terríveis medos. Tudo isso mudou. E eu vivo em confronto diário com a minha própria sombra, revendo meus medos, repensando meus critérios, recolocando as ideias no lugar, e desorganizando tudo de novo quando me vejo diante de uma nova fase de desenvolvimento da minha filha, ou do meu próprio desenvolvimento como ser humano, como mulher e como mãe.
Eu confronto constantemente as minhas antigas concepções sobre como criar um filho. Algumas eu ainda as mantenho, eu acho, outras já vi e revi e mudei de conceito algumas ou muitas vezes.
Quando pari (ou quase pari) minha filha, eu jurava que não permitiria dormir na mesma cama, que não amamentaria por mais de 18 meses, que ia corrigir com palmadas, porque afinal fui educada assim e não morri me tornei alguém descente. Né?
Não! Eu me tornei alguém descente porque levei palmadas pouquíssimas vezes na vida, e mal me lembro delas, aliás, só me lembro de uma única vez. E não! Eu não morri, mas de fato entendi que não estou aqui para criar sobreviventes. Assim como meus pais não me criaram, à mim e meus irmãos como sobreviventes de uma espécie que está sucumbindo às mazelas de uma sociedade corrompida e ultrapassada, eu também não pretendo criar a minha filha como uma simples sobrevivente.
Eu fui amparada pelo colo e afago da minha mãe e do meu pai sempre que precisei. Eu me lembro de uma infância feliz, cheia de risos e sorrisos. De me esconder dentro do guarda-roupa e quando meu pai me encontrava, ele ria comigo e não me “corrigia” com palmadas. Ele me pedia para não amassar muito as roupas e só. Era ele mesmo quem me colocava no maleiro do guarda-roupa, e fechava as portas e ia mandar minha mãe me procurar. E ela se fingia desesperada: “Cadê ela? Meu Deus ela fugiu?” Era a maior diversão. Meu pai era meu cavalinho, meu avião, meu super-herói. Minha mãe minha amiga, minha vizinha, a médica das minhas bonecas, a caixa do supermercado e a avó que vinha visitar as netas na minha casinha de bonecas. Ah! Eles eram também meus arquitetos que construíam cabaninhas de lençóis e cabos de vassouras incríveis. Meus pais foram bons pais. Eles são bons pais.
Tenho poucas lembranças de cenas onde eu era corrigida de forma violenta, com gritos e torturas emocionais. Lá pela adolescência, a coisa desandou um pouco, minha mãe esteve doente, e isso feriu um pouco nosso relacionamento. Mas águas passadas e feridas fechadas. A infância em si foi uma grande aventura. E se me tornei alguém de bem, é porque fui amada e amparada, e não porque recebi palmadas em algum dado momento da minha infância.
Mas eu, ainda assim, tinha em mente aquela ideia fixa: “dar palmadas para corrigir e educar!”. E por quê? Porque há uma imensa necessidade de aceitação. E a sociedade só aceita pais rígidos. Aqueles que dão muito colo e muito afeto são vistos como “mimadores”, que estragam os filhos e criam adultos dependentes e problemáticos. E eu passei a perceber que a coisa não é bem assim. Eu realmente não conheço nenhum bandido que tenha tido uma infância repleta de amor e acolhimento. Criar com amor estraga? Acho que não.
E mal Manuela nasceu e eu já comecei a mudar meus conceitos. A cama compartilhada, o que pra mim era algo desnecessário e abominável, ferramenta de uma dependência preocupante, passou a ser parte da nossa vida de maneira espontânea e muito agradável. Aos poucos, Manuela ganhou seu espaço conosco e lá permaneceu, até… Até quando ela precisar disso e nos sentirmos bem assim. A amamentação, bom, são quase 27 meses e sem previsão de desmame.
E sobre a palmada? Eu não precisei dar uma palmada para sentir que ela pode doer muito, até mesmo em mim e ferir uma alma muito mais do que fere a pele. A dor da minha filha sempre doeu em mim, e se dói em mim, é porque nela a dor deve ser muito maior.
Foi assim que eu comecei a repensar isso. Lendo relatos, histórias, artigos e matérias sobre disciplina positiva que eu fui aos poucos mudando de opinião. Até que um dia, ela, ao auge dos seus dois anos, se negou a recolher os brinquedos do chão: “NÃO!” Redondo, cheio de si e de ego. Eu, claro, fui me irando a cada não que recebia. E perdi a linha. Falei alto com ela.Eu gritei com ela. E ela, chorou. Chorou muito, profundamente, dolorosamente, sentimentalmente, como se eu a tivesse espancado, mas não apenas ao seu corpo físico, mas também o mais profundo de sua alma.
Ela chorou, e eu chorei também. Por desespero, por arrependimento, porque sabia que não precisava ter feito aquilo, porque eu percebi que a feri, porque tinha consciência de que eu era seu porto seguro e falhei, e a afastei de mim. Quando tentei abraça-la, ela prontamente me abraçou, para minha doce surpresa. Crianças sempre perdoam mais prontamente. E em meio aos soluços do choro doído, acarinhou os meus cabelos e disse: “Desculpa mamãe”. Mas quem devia um pedido de desculpas era eu. Eu provei na minha pele a dor da minha própria ira porque ela feriu alguém a quem eu amo mais do que à mim mesma. Eu chorei por longas horas, mesmo depois de ela ter parado de chorar e voltado a brincar. Eu chorei por dias. Na verdade ainda choro quando me lembro do terrível erro que cometi quando gritei com ela.
Daí por diante eu comecei a buscar mais e mais informações sobre como educar sem violência. E aplicando a disciplina positiva, vi que ela dá muito mais resultados, e Manuela responde melhor a ela do que aos gritos opressores. Eu entendi que não preciso conservar os velhos hábitos, a tradição passada pela sociedade de que bater para educar é bom. Eu aprendi que amar é mais válido, que acolher dá mais resultado, que incentivar tem maior efeito. E mais uma vez eu me permiti mudar. Mudar de ideia, de opinião e de ação. Para satisfazer uma necessidade pessoal de criar minha filha com respeito.
Eu venho mudando constantemente desde que nasci. Mas, mais vigorosamente com a maternidade. E me sinto bem assim, mesmo que às vezes fique perdida, mesmo que perdendo amizades. Não importa. É renovador. Mudar pode ser assustador, mas é necessário. E faz bem! 
Ser mãe me trouxe a incrível experiência de autoconhecimento e auto aceitação. Eu ainda não sei bem quem sou, mas sei quem quero ser. Alguém em constante mudança e adaptação, buscando sempre ser o melhor que consegue. Se não por mim, por ela, que é a razão da minha existência.
A maternidade me libertou do comodismo e do politicamente correto para vivenciar integralmente a maior e melhor experiência da minha vida.